3.28.2012

"O especialista é um homem que sabe cada vez mais sobre cada vez menos, e por fim acaba sabendo tudo sobre nada."

Bernard Shaw

El miedo global

Los que trabajan tienen miedo a perder el trabajo.
Los que no trabajan tienen miedo de no encontrar nunca trabajo.
Quien no tiene miedo al hambre tiene miedo a la comida.
Los automovilistas tienen miedo de andar y los peatones a ser atropellados.
La democracia tiene miedo a recordar y el lenguaje tiene miedo a decir.
Los civiles tienen miedo a los militares,
los militares tienen miedo a la falta de armas,
las armas tienen miedo a la falta de guerras.
Es tiempo de miedo.
Miedo de la mujer a la violencia del hombre y miedo del hombre a la mujer
sin miedo.
Miedo a los ladrones y miedo a la policía.
Miedo a la puerta sin valla, al tiempo sin relojes, al niño sin televisor.
Miedo a la noche sin pastillas para dormir y miedo al día sin pastillas para
despertar.
Miedo a la multitud, miedo a la soledad por aquello que uno ha sido.
Miedo a morir, miedo a vivir.

Eduardo Galeano in Patas arriba, La escuela del mundo al revés

9.05.2011

8.24.2011

o palco do tempo

Estranho-me com a volatilidade da tinta desta caneta, da facilidade com que escorre e traça as linhas dos nossos dias e noites. Reencontro nas palavras a magia que me escapa, que sinto não me pertencer. Troco os indolores sais de prata pelo odor térreo das borras do café, que não ousam mais que prever o passado, que descansam preguiçosamente no tempo.

Arrisco a espreitar só mais uma vez por essa janela, para deixar entrar a luz, a magia da espera, do pensar, até ao derradeiro 'clack'.




"O Fernando Pessoa sente as coisas mas não se mexe, nem mesmo por dentro."
- Alberto Caeiro

8.05.2011

o teu mundo no meu


Hoje, como em tantos dias iguais a hoje, no curto trajecto que separa a estação do eléctrico ao local de trabalho, cruzei-me com um ciclista. Tão invulgar como a imagem que aparenta, é a inevitabilidade do nosso encontro que parece ir além dos involuntários e aleatórios atrasos matinais. Mas ao virar da curva, eis que sobe com destreza esta ladeira inclinada, que percorro em sentido inverso, mas que a natureza do meu destino a torna tão ou mais penosa como a do meu opositor.
Esta imagem, de barbas grizalhas e óculos espelhados, tornou-se familiar quase ao ponto de sorrirmos um para o outro, quando nos cruzamos. Porque sei que ao virar da esquina, ali estará subindo o ciclista. Por ser tão natural, e porque para mim apenas existe apenas neste lugar e espaço de tempo, imagino-o como uma planta, uma planta que ali está, que quase sorri.
Hoje, num dia igual aos outros, mas à sua maneira diferente pensei. Antes de mim, já este ciclista subia diariamente esta ladeira inclinada. Talvez para ele, eu seja também uma planta que apenas existe ali e que quase sorri. Mas eu, ao contrário dele, cheguei com a primavera e o verão me há-de ver partir. Serei eu uma erva daninha?