"FOTOGRAFIA DE MADRID
Madrid regressará sempre. São precisos anos
para aprender aquilo que apenas acontece com
a distância de anos. É por isso que posso afirmar
que Madrid regressará sempre. Não sei que tipo
de entendimento encontrámos. Eu e Madrid não
nos conhecemos bem. Sabemos o essencial e
inventamos tudo o resto. Tanto a minha vida,
como a vida de Madrid, já tiveram muitas formas.
No entanto, quando nos encontramos, somos
sempre o mesmo nome. Avaliamo-nos por
cicatrizes e pequenas marcas da idade.
Não estabelecemos metas, estamos cansados.
Eu e Madrid só queremos uma cama, mas,
se não houver, contentamo-nos com o chão e,
se não houver, contentamo-nos com um abraço."
in Gaveta de Papéis - José Luís Peixoto
1.07.2010
7.22.2009
7.20.2009
7.07.2009
Queres? (No ar, a interrogação vibra como
uma onda invisível.)
Queres? (Pelo silêncio, não sei quem és, não
sei a razão em mim que te deseja.)
Queres? (É quase de manhã e poderíamos
esquecer tudo, fazer as malas, dormir
finalmente.)
Queres? (Uma porta talvez aberta para talvez
um abismo ou um deus.)
Quero. (Já não podemos fugir aos nossos olhos
inimagináveis, incançável é o cansaço.)
Quero. (A luz do quarto continua acesa sobre
a luz da manhã, tornamo-nos artificiais.)
Quero. (Os nossos corpos, claro, sempre os
nossos corpos, sempre apenas os nossos únicos
corpos.)
Quero. (Tarde demais.)
in Gaveta de Papéis - José Luís Peixoto
uma onda invisível.)
Queres? (Pelo silêncio, não sei quem és, não
sei a razão em mim que te deseja.)
Queres? (É quase de manhã e poderíamos
esquecer tudo, fazer as malas, dormir
finalmente.)
Queres? (Uma porta talvez aberta para talvez
um abismo ou um deus.)
Quero. (Já não podemos fugir aos nossos olhos
inimagináveis, incançável é o cansaço.)
Quero. (A luz do quarto continua acesa sobre
a luz da manhã, tornamo-nos artificiais.)
Quero. (Os nossos corpos, claro, sempre os
nossos corpos, sempre apenas os nossos únicos
corpos.)
Quero. (Tarde demais.)
in Gaveta de Papéis - José Luís Peixoto
7.06.2009
6.30.2009
Subscrever:
Mensagens (Atom)

